Artigo retirado de poashow.com.br:
Por: Marcel Bittencourt
Grandiosidade. Essa foi a palavra que salvou a noite e boa parte da madrugada dos porto-alegrenses que foram ver o Guns n’ Roses na última terça-feira dia 16 de Março. Em meio as mais variadas adversidades, a banda americana proporcionou um dos maiores espetáculos dos últimos anos na cidade. Os números oficiais dão conta de que 17 mil pessoas teriam assistido ao show da banda de Axl Rose.
Bandas de Abertura: Tequila Baby e Rosa Tattooada
O que inicialmente era "apenas" um show do Guns n’ Roses, acabou por se tornar, pelo menos na teoria, um grande festival de Rock. As conhecidas bandas gaúchas Tequila Baby e Rosa Tattooada foram convidadas a fazer os shows de abertura do evento, agendados, respectivamente, para 19h e 20h e formar, juntamente com Sebastian Bach (ex-Skid Row, previsto para as 21h), o cast da noite. No entanto, os portões abriram apenas as 19h40, ainda em meio a montagem do equipamento do Guns n’ Roses.
Antes mesmo que a própria banda fosse comunicada, veículos de comunicação já haviam anunciado o cancelamento do show do Tequila Baby. Uma atitude questionável, que gerou comentários. Já o Rosa Tattooada, que também havia tido seu show cancelado, acabou por ser ainda mais lesad ao Rosa foi proporcionada uma apresentação curta de apenas três músicas. Foi o que restou aos gaúchos. De maneira muito digna, desculparam-se pelo atraso e justificaram-se perante seu público. No entanto, essa acabou, talvez, não sendo a decisão mais acertada, visto que foram expostos a condições técnicas bem abaixo das mínimas aceitáveis. Não era possível ouvir nada com clareza. A bateria, muito baixa, por vezes oscilava, abafando a boa performance do baterista Beat Barea. O vocal também era baixo demais, impossibilitando a compreensão do que o vocalista Jaques Maciel cantava ou falava. Valeu a homenagem bastante aplaudida com a bandeira do Rio Grande do Sul. Outro detalhe: o que vimos foi uma formação reduzida: o guitarrista Martin Andrade já havia deixado o local quando o Rosa foi novamente autorizado a fazer seu show, que só começou depois das 23h40.
Ficou a sensação constrangedora de descaso e desrespeito com os artistas gaúchos.
As justificativas para um atraso tão grande, de mais de quatro horas, foram as mais variadas, mas não passam de mera especulação. Boatos davam conta que o equipamento da banda principal só teria chegado do Rio de Janeiro no final da tarde de terça. Outros que Axl estaria em São Paulo e só viria para Porto Alegre em vôo fretado agendado para as 00h20 de quarta-feira. Nada era confirmado.
Sebastian Bach
O show do Rosa Tattooada terminou pouco antes da meia-noite. O de Sebastian começou pouco depois, com uma troca de palco extremamente rápida. Experiente, sentindo o clima tenso, fez uma pequena, porém eficiente, alteração no setlist. Ao invés de abrir com "Back in the Saddle", cover de Aerosmith, a escolhida para a abertura dos trabalhos foi "Slave to the Grind", do Skid Row. Sebastian Bach é um excelente frontman, levantou a galera e fez, já na primeira música, que as pessoas esquecessem o cansaço e a indignação pelos atrasos. O som, no entanto, prejudicou a apresentação, fazendo até mesmo que Bach perdesse o tempo de entrada no segundo refrão de "Slave to The Grind". Em seguida, a protelada "Back in the Saddle" e "Big Guns".

Em português, Sebastian se dirige ao público pela primeira vez: "Porto Alegre: nós estamos muito felizes de tocar aqui. Parte do equipamento foi destruído em São Paulo.". O que era verdade. Inclusive o guitarrista Johnny Chromatic fez show utilizando a guitarra emprestada por Martin Andrade, do Rosa Tattooada.
Apresentando uma banda competente, com destaque para o guitarrista Nick Sterling, de apenas 19 anos, Sebastian abusa do carisma e da energia que esses 20 anos de palco lhe trouxeram. Roda o microfone, balança os longos cabelos loiros e levanta o publico no estacionamento da FIERGS.
O ponto negativo fica por conta da voz de Sebastian, que em nada se parece com aquela apresentada nos dois primeiros álbuns de sua antiga banda, o Skid Row. O vocal falha, especialmente nas notas mais altas. Já o momento inusitado foi o tombo do vocalista ao escorregar no piso úmido do palco. Bem humorado, tirou de letra rindo da situação.
O repertório foi baseado principalmente nos clássicos do Skid Row, contando ainda com "In a Darkned Room", "Monkey Business", "I Remember You" e "Youth Gone Wild", entre outras. Um grande show de Rock com pouco mais de uma hora de duração.
Guns n’ Roses
Já eram 1h50 da manhã de quarta-feira quando as luzes se apagaram para o Guns n’ Roses. A banda abre com "Chinese Democracy", música que dá nome ao mais recente (e tão polêmico) álbum de estúdio da banda. Uma boa escolha, visto que a canção é forte e chegou até a ser cantada pelos fãs que conhecem o trabalho. No entanto, nada como os clássicos: Foi com a segunda música do set que a grandiosidade do que viria pela frente começou a tomar forma: "Welcome to the Jungle" foi reconhecida logo no primeiro riff executado pelo guitarrista DJ Ashba.

O grito no início de "Welcome to the Jungle" levou todos diretamente ao ano de lançamento do primeiro álbum, "Appetitte For Destruction". O grito na introdução foi o mesmo. Foi o grito de um vocalista que ainda é uma das maiores vozes do Rock. A performance vocal de Axl Rose, tão contestada atualmente, certamente surpreendeu até mesmo aos fãs mais otimistas. Sem perder o ritmo da apresentação, mais dois sucessos: "It’s So Easy" e "Mr. Brownstone", também do disco de estréia.
Ninguém mais lembrava dos atrasos. Não importava mais. Estávamos, todos, diante da grandiosidade da lenda viva Axl Rose. O polêmico vocalista, gênio para uns, Rockstar arrogante para outros, mostrou muito bem a que veio. Cantou muito bem as músicas que fizeram a história do Guns n’ Roses.
Desde o início também chamou muito a atenção a grandiosidade da estrutura. Três telões, um no centro e um de cada lado do palco permitiam que todos pudessem acompanhar bem o show dos americanos. Além deles, duas grandes faixas verticais com leds embelezavam ainda mais a apresentação com animações. E, não bastasse isso, houve muita pirotecnia. Explosões, chamas e fogos de artifício permearam as canções mais impactantes do set, especialmente em "Live and Let Die", cover de Paul McCartney.
Se o setlist de Sebastian Bach foi inteligente, o do Guns n’ Roses chegou perto da perfeição. Alternou ponderadamente grandes clássicos com material do último álbum, "Chinese Democracy". Entre as novas, destaque para "Better" e "Sorry", além da canção que dá nome ao disco.
Até mesmo para os tão contestados solos dos músicos de apoio a banda encontrou uma boa soluçã Temas instrumentais envolvendo clássicos da cultura pop, improvisações e melodias da própria banda. O solo do guitarrista Richard Fortus contou com o tema de 007 e um pequeno trecho de "Don’t Cry". O tecladista Dizzy Reed optou por "Knockin’ On The Heaven’s Door", de Bob Dylan e "Ziggy Stardust", de David Bowie. O também guitarrista Bumblefoot fez o solo mais complexo e bem executado, com o tema da Cor-de-rosa e um pequeno trecho de "Estranged". DJ Ashba term,inou seu solo, o mais breve, com a introdução de "Sweet Child O’Mine". Já o big-boss Axl Rose, ao piano, fez uma pequena versão de "Another Brick In The Wall", antes de "November Rain", um dos pontos mais emocionantes do show.

No entanto, as maiores reações do público vieram em "Sweet Child O’Mine". Foi, também, a música que Axl cantou melhor, mostrando por que é, ainda, um dos maiores vocalistas em atividade. Cantada do início ao fim, empolgou, emocionou e cumpriu seu papel. Na seqüência, "You Could Be Mine", onde o brilhantismo da interpretação de "Sweet Child" deu lugar a falhas claras, especialmente nos tons mais altos. Em "Knockin’ On The Heavens Door" o guitarrista DJ Ashba vestiu, como uma capa, a bandeira do Rio Grande do Sul. Com "Nightrain" a banda se despediu, em grande estilo, para o tradicional intervalo de dois minutos.
Para o Bis, nada de surpresas: Uma canção da formação atual, "Madagascar", e o encerramento apoteótic uma bela versão acústica de "Patience" e "Paradise City", com uma chuva de papel picado vermelho que, visualmente, lembrava pétalas de rosa.
Tendo deixado o palco mais uma vez, Axl e sua trupe retornam e perguntam se há alguém ali de aniversário. Entre os muitos que se apresentam, Axl escolhe duas meninas para subir ao palco. Um segurança tenta impedir, despertando a ira do cantor, que perguntou no microfone de forma deselegante se alguém poderia ajudá-lo ali. Cantou parabéns a Vanessa e a "Very Crazy Girl" (que não parava de pular). Por fim, se atritou novamente com alguém a beira do palco, perguntou se por acaso aqueles caras eram cegos, jogou o microfone no chão, irritado, e partiu para não mais voltar.
Aos que estranharam a repetição freqüente da palavra "grandiosidade" nesta resenha, fica a informação de que foi intencional, motivada por tudo que se viu na madrugada de ontem. Foi uma noite de grandiosidade. Grandiosidade do nome Guns n’ Roses, grandiosidade de Axl Rose como lenda do Rock que é, grandiosidade do repertório que fez e faz história e, principalmente, dos fãs que esperaram por horas para desfrutar da apresentação de uma das maiores bandas do mund o grande Guns n’ Roses, que, apesar se sofrer a inevitável comparação com sua formação clássica, ainda apresenta, sim, um grande show.
Que venha o próximo.
Repertório completo so show em Porto Alegre:
01 - Intro
02 - Chinese Democracy
03 - Welcome to the Jungle
04 - Its So Easy
05 - Mr. Brownstone
06 - Sorry
07 - Better
08 - Richard Fortus Solo
09 - Live and let Die
10 - If the World
11 - Shackler’s Revenge
12 - Dizzy Solo
13 - Street of Dreams
14 - Rocket Queen
15 - DJ Ashba solo
16 - Sweet Child o’ Mine
17 - You Could Be Mine
18- Another Brick In The Wall/ Axl piano sol November Rain
19- Ron Thal Solo - Tema da Pantera cor de rosa
20- Knockin’ On Heavens Door
21- Nightrain
22- Madagascar
23- Patience
24- Paradise City
Informações Oficiais
Diante dos imprevistos da noite de ontem, houve pronunciamentos.
Zero Hora:
A Empresa Pública de Transporrte e Circulação (EPTC) vai autuar a empresa H4 Entretenimento, responsável pela organização do show da banda Guns N’ Roses, realizado nesta madrugada, 17, na área de estacionamento da Federação das Indústrias do RS (Fiergs).
A autuação, cerca de R$ 2,5 mil, de acordo com o Artigo 246 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), acontece em razão do não cumprimento da programação estabelecida, que previa abertura dos portões às 17h, início do evento às 22h.
O atraso refletiu-se em sérios transtornos à circulação do trânsito e do transporte na Zona Norte da Capital e Região Metropolitana, inclusive com riscos à segurança dos frequentadores e da população em geral.
A EPTC estuda, também, medidas judiciais para ressarcir o município por danos causados ao poder público. A Fiergs, sede do evento, será notificada para esclarecimentos sobre os problemas causados pela entidade organizadora do show.
A Assessoria de Imprensa do evento enviou a seguinte nota oficial:
"Em função do forte temporal acompanhado de ventos de alta velocidade no final da tarde de domingo na cidade do Rio de Janeiro, a Time For Fun, promotora da turnê do Guns N’ Roses no país, comunicou o cancelamento da apresentação na Praça da Apoteose. A Defesa Civil liberou a desmontagem do palco na segunda-feira e a Time for Fun fretou um avião cargueiro exclusivo para encaminhar as 60 toneladas de equipamentos da banda para Porto Alegre. Devido a problemas técnicos com o transporte, a montagem da estrutura no Estacionamento da FIERGS só teve início no começo da tarde de terça-feira. A produção e organização do show na capital gaúcha foi realizada pela H4 Entretenimento"
A banda Tequila Baby também postou nota em seu site oficial:
"Sobre cancelamento do show de abertura para Guns and Roses.
A decisão de cancelar o show não partiu da Tequila Baby e sim da produção do evento. Por volta das 23h, fomos comunicados por um representante da produção local, H4 Entretenimento, que a nossa apresentação estaria cancelada. O motivo seria atraso na chegada dos equipamentos do Guns, em função do acidente que ocorreu no palco do Rio de Janeiro."
Já o Rosa Tattooada enviou ao POA Show, via e-mail, a seguinte declaração:
"O mais importante é ressaltar que em momento algum a produção, seja local, da H4, ou a nacional, da Time For Fun, desdenharam ou desrespeitaram as bandas locais, escaladas pra fazer os shows de abertura da noite de 16.03 – muito pelo contrario – fomos muito bem atendidos pela produção do evento, com o respeito e consideração que uma equipe realmente profissional deve demandar a qualquer artista.Ouvi de um dos sócios da produtora local, que o problema ocorreu em função da prefeitura do Rio de Janeiro, que prendeu todo o backline do Guns no palco que havia desabado, pra que fosse periciado, só liberando na madrugada de terça-feira. o que desencadeou um atraso geral pra que fosse encaminhado o equipamento pra Porto Alegre. Ontem, as 19hs ainda estavam chegando carretas com equipamentos e cenário, sem contar o equipamento do Sebastian Bach, que estava em um caminhão que se acidentou, pelo que ficamos sabendo, tanto que um dos guitarristas do Sebastian tocou com uma de nossas guitarras.
De qualquer forma, foi feito, por todas as partes envolvidas, o máximo pra que o publico assistisse shows de alto nível, todos estavam com a melhor das intenções, sem duvida alguma. Fomos prejudicados por eventos alheios a nossa vontade. Ficamos felizes de poder entrar e mostrar pro publico que somos um banda de Rock and Roll gaúcha, nascida em Porto Alegre, que estávamos ali por absoluto respeito ao publico, Rockeiros como nos sempre fomos.
Um grande abraço e muito obrigado a todos que compreenderam nossa situação.
Keep Rockin!!!!!!"
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Artigo retirado de clicrbs.com.br:
Fã aniversariante sobe ao palco com o Guns
Depois que Axl encerrou o show, a fã Amanda Westphalen dos Santos, que comemorava seu aniversário, foi convidada para subir ao palco.
Com a esperança de conseguir a façanha, Amanda havia levado uma faixa com os dizeres ""Axl, today is my birthday. Please take a photo with me. I Love U" (Axl, hoje é meu aniversário, por favor, tire uma foto comigo. Eu te amo").
Quando Amanda subiu ao palco, Axl convidou o público e todos cantaram "Parabéns pra você". Em seguida, Axl convidou Amanda para ir ao camarim da banda. Emocionada, por telefone, ela dizia:
- Eu consegui, eu consegui!
O show da banda encerrou às 4h11min.
Vídeos:
Welcome To The Jungle + It’s So Easy
Better
Intro + Chinese Democracy
Knockin’ On Heaven’s Door