Retirado de: O Globo
Apesar de começar à 1h de segunda-feira, show do Guns N’ Roses encanta os fãs cariocas

Como diz o refrão de "Patience", um dos maiores sucessos do Guns N’Roses, "Mais um pouco de paciência/ Só um pouco de paciência". Em sua volta ao Rio depois de nove anos, o grupo de rock liderado pelo cantor Axl Rose colocou à prova a paciência do público carioca. Como se não bastasse a espera desde 2001, quando o grupo se apresentou no Rock in Rio 3, os roqueiros do Rio ainda tiveram a decepção de ver adiado o show de 14 de março, quando um temporal derrubou parte do palco montado na Praça da Apoteose. Show remarcado para 4 de abril, tudo pronto, empolgação... e Axl e seus músicos começam a festa à 1h da manhã (numa madrugada de domingo para segunda-feira, não custa lembrar), quando o público já "elogiava" Dona Sharon, mãe do cantor, e lembrava que o dia 5 era de trabalho. Mesmo assim, a competência da banda e a força do repertório ganharam os 25 mil cariocas exaustos, que, mesmo naquele horário obsceno, cantaram e pularam o que puderam até as 3h30m da matina.
A chuva parecia ser o único problema no que prometia ser uma noite histórica de rock. Às 20h, a banda carioca Majestike subiu ao palco para mostrar o que sabia em cerca de meia hora. Depois de superados alguns problemas no som, o grupo, que faz um heavy metal contemporâneo, próximo do grupo americano Evanescence (até por contar com uma mulher nos vocais, Tatiane Rulêz), deu bem seu recado, sendo bem recebido pelo público. Um pouco depois das 21h foi a vez de Sebastian Bach, que participa de toda a turnê latino-americana do Guns N’ Roses, sacudir a cabeleira.
Em pouco mais de uma hora de show, Bach lembrou sucessos do Skid Row, grupo que integrou até 1996, como "Slave to the grind", "Monkey business", "Big guns" e as baladas "18 and life" e "In a darkened room". Ele também mostrou músicas do disco solo que lançou em 2007, "Angel down", como "Stuck inside", "(Love is) A bitchslap" e uma versão para o clássico "Back in the saddle", do Aerosmith. Em boa forma aos recém-completados 42 anos (alguns fãs mais ardorosos cantaram "Parabéns a você", já que o aniversário fora na véspera, dia 3 de abril), Bach mostrou simpatia e afinação à frente de uma banda competente. O repertório recente, no entanto, não tem a força das antigas canções, e o excesso de palmas puxadas, coros de ô-ô-ô e loas ao Guns N’Roses (ele sabe que, se não fosse o fiel amigo Axl Rose, estaria cantando, com sorte, para 3 mil pessoas, nunca para 30 mil) foram desnecessários.
Antes das 22h30m o show de Sebastian Bach estava encerrado, e o povo (de várias idades e originário do Rio e de outros estados) queria Guns N’Roses. Qual o quê. Foram duas horas e meia e muitas cervejas de espera, muitas vaias e palavras de ordem pouco lisonjeiras até que as luzes se apagaram e o Guns N’ Roses entrou, ao som de "Chinese democracy". O público, que ainda xingava Rose quando a escuridão dominou a Apoteose, esqueceu o cansaço e a revolta e embarcou no bonde roqueiro. Cheio de disposição, o cantor trouxe ao Brasil, mais uma vez, uma banda de excelentes músicos, como já tinha feito em 2001, mas, desta vez, os sete músicos chegaram afiados pelos mais de 30 shows que já realizaram desde dezembro de 2009, na Ásia, Canadá e América Latina.
Afora Rose, os três guitarristas são o destaque no palco do G’N’R: o cabeludo Ron Bumblefoot é, de longe, o mais técnico, ficando responsável pelas partes mais intrincadas; o sarado Richard Fortus, na banda desde 2002, fica geralmente com as bases, mas mostra que sabe tocar sempre que pode; contratado para ser uma espécie de Slash cover, DJ Ashba tem competência e carisma de sobra, mas não precisava usar um chapéu, um cigarro no canto da boca e uma guitarra Les Paul quase idênticos aos do guitarrista da formação clássica da banda. De qualquer forma, os três formam uma parede sólida de guitarras e ainda saltitam por todos os cantos do palco, incrementando o espetáculo. O palco montado na Apoteose, além de não ceder, tinha um telão central, com imagens que remetiam às músicas, quatro telões verticais, mais usados em luzes e efeitos, e os telões laterais, que mostravam os músicos a quem estava mais distante.
Depois de "Chinese democracy", o Guns mandou três músicas de seu disco mais bem-sucedido, "Appetite for destruction", de 1987: "Welcome to the jungle", "It’s so easy" e "Mr. Brownstone". O público cantou todas e ficou absolutamente entregue: Rose e seus rapazes poderiam fazer o que quisessem a partir daquele momento. O que eles fizeram, no entanto, foi tocar mais rock de qualidade, alternando músicas antigas com as de "Chinese democracy". Várias delas, como "Street of dreams", "Better" e "Sorry", executadas à perfeição, ficaram perfeitas ao lado dos clássicos.
Parecendo feliz com a boa resposta do público, Axl Rose pouco falou, além de agradecer e apresentar os músicos. Quatro deles (os três guitarristas e o tecladista Dizzy Reed, o mais antigo na banda depois de Rose, com quase duas décadas de serviços prestados), aliás, tiveram direito a momentos sol Fortus, por exemplo, solou o "Tema de James Bond" (que calhou bem antes de "Live and let die", de Paul McCartney, trilha sonora de um dos filmes do espião, "Com 007, viva e deixe morrer", de 1973), e Bumblefoot foi de "Tema da Pantera Cor de Rosa", de Henry Mancini. Nada disso foi ruim, mas parecia claro que eram intervalos para que Rose descansasse o corpinho e a garganta. O público teve paciência, e foi premiado com um show redondo. Cerca de 30 mil cariocas passarão esta segunda-feira sonados e felizes.
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Retirado de: Terra
Após atraso, Guns encerra turnê no Brasil com show no RJ
Três semanas após ter o seu show cancelado por causa de uma tempestade que castigou o Rio de Janeiro, finalmente o Guns N’ Roses tocou para os fãs cariocas. O tempo não colaborou - choveu forte antes da apresentação -, mas os fãs não se importaram. Eles cantaram e pularam durante mais de duas horas na Praça da Apoteose. Afinal, era a última oportunidade de conferir de perto a turnê Chinese Democracy, que se despediu do Brasil na noite do domingo (4).
Pessoas de todas as idades e estilos compareceram ao show. Havia os roqueiros mais aficcionados, que não dispensam roupa preta, piercings e tênis All Star, mas também teve espaço para os que gostam de vestir camisetas do Guns, vendidas a R$ 70 no Sambódromo, e para os discretos, com um visual menos chamativo.
O show de abertura ficou por conta de Sebastian Bach. Cheio de disposição, o roqueiro conseguiu empolgar o público que já comparecia em bom número. Por volta das 21h10, Sebastian, vestido todo de preto e com longos cabelos loiros soltos, deu seus primeiros gritos agudos na Praça da Apoteose, em uma apresentação que durou cerca de 80 minutos.
Bem-humorado e falando em português ensaiado, o músico parecia à vontade no palco. Ele brincou com a plateia e a todo momento rodava o fio do microfone em volta da sua própria cabeça. Na metade da apresentação, um fã jogou uma bandeira do Brasil, que foi recolhida pelo próprio Sebastian.
O público estava tão empolgado que em diversas ocasiões gritou o nome do cantor. Sebastian agradeceu o carinho dos cariocas e decidiu bater um papo em português um pouco carregad "nós estamos muito felizes de tocar no Rio. Não nos importamos com a chuva. Esta noite nós vamos destruir este lugar!".
Outro momento de empolgação de Sebastian aconteceu quando um fã lançou uma camisa do Brasil no palco. De imediato, o músico trocou a camiseta preta pela amarela. E, ao quase ser atingido por uma garrafa de água, Sebastian devolveu o "presente" chutando outra garrafa, para delírio dos que estavam próximo do palco.
Guns faz show com quase duas horas de atraso
A noite só não foi melhor porque mais uma vez Axl Rose e companhia decidiram não cumprir com o horário marcado para a apresentação (23h30). A banda só subiu ao palco perto de 1h da madrugada desta segunda-feira (5), o que gerou vaias por parte do público, que já estava impaciente com o atraso. "Isso é desrespeitoso. Cheguei aqui às 20h30 e até agora nada de show. É de tirar a empolgação de qualquer um. Já vi shows de bandas mais empolgantes e nunca houve esse atraso todo", desabafou o funcionário público Fernando Fernandes, de 46 anos.
Rostos com expressões cansadas, casais abraçados sentados no chão e muita reclamação. Com quase duas horas de atraso, o Guns N´ Roses surgiu para o público presente na Praça da Apoteose de forma meteórica: labaredas de fogo, explosão, efeitos com as luzes e claro muito rock and roll.
Os mais pacientes se deram bem e curtiram a apresentação dos americanos com empolgação, contagiados pela energia de Axl Rose, que praticamente não parava de correr no palco, de ponta a ponta, mostrando bom preparo físico, embora não seja mais aquele jovem do início da carreira de sucesso do Guns.
Vestido com um paletó prateado, camisa e chapéu preto e calça jeans, o vocalista da banda conseguiu levantar a plateia em diversos momentos, tanto no início como na metade e na parte final do show. Chinese Democracy, Welcome to the Jungle, Live and Let Die, Prostitute, Sweet Child e Paradise City foram as canções que mais empolgaram.
Algumas situações que aconteceram ao longo da apresentação marcaram a passagem da banda pelo Rio de Janeiro. Axl colocou nas costas a bandeira do Brasil, presenteada por um fã. Sempre que algum admirador lançava algo, o vocalista de imediato chutava com raiva o objeto para o fundo do palco e durante as duas horas e meia de show, Axl trocou de roupa cerca de cinco vezes.
Em um dos poucos momentos em que conversou com a plateia, ele apresentou todos os integrantes da banda. Às 2h15 da madrugada, muitos admiradores do Guns N´ Roses já haviam deixado a Praça da Apoteose. Outros demonstravam certo cansaço por conta da longa espera. "Apesar da hora, acho que valeu à pena. Estou aqui desde às 17h e consegui um lugar bem perto do palco. Pra mim, o momento em que o Axl entrou no palco foi o mais marcante", afirmou Sandra Santana, de 37 anos, promotora de eventos.
A parte final da apresentação foi tão empolgante quanto a abertura. As labaredas voltaram a iluminar o palco e a chuva de papel e plástico picados deu um brilho especial ao fim da festa, enquanto Axl mais uma vez corria. Os guitarristas da banda ainda tiveram tempo de tocar o hino nacional brasileiro, gesto que foi aplaudido por muitos fãs do Guns N´ Roses.
Repertório completo do show no Rio de Janeir
1.Intro/ Chinese Democracy
2.Welcome To The Jungle
3.It’s So Easy
4.Mr. Brownstone
5.Sorry
6.Better
7.Richard Fortus Guitar Solo / Live And Let Die
8.This I Love
9.Rocket Queen
10 .Dizzy Reed Piano Solo/ Street Of Dreams
11.You Could Be Mine
12.DJ Ashba Guitar Solo Ballad Of Death/ Sweet Child O’ Mine
13.Axl Rose Piano SoloAnother Brick On The Wall/ November Rain
14.Bumblefoot Guitar Solo Pink Panther Theme/Knockin’ On Heaven’s Door
15 .Nightrain
16.Madagascar
17.Instrumental Jam/ Whole Lotta Rosie (AC/DC cover)
18.Patience
19.Paradise City
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